Lado intocado de Guarujá
Quem visita Guarujá costuma ficar restrito ao roteiro das praias urbanas que estampam cartões-postais e concentram o burburinho da temporada. Continuando o desafio de expandir seu olhar, iniciado na semana passada na coluna Entre Sons e Tons, existe uma cidade silenciosa, protegida por costões rochosos e acesso restrito, que guarda cenários dignos de filmes de naufrágio.
Sair do eixo comum não é apenas uma escolha geográfica, mas uma busca por uma experiência sensorial diferente. É trocar o som das caixas de som pelo ruído das ondas batendo nas pedras.
Refúgio selvagem na Serra do Guararu
A Área de Preservação Ambiental da Serra do Guararu, a mata continua densa e original. Tanto é que abriga tucanos, pica-paus, pacas, preás, bichos-preguiça e tatus. A população local fala até de jaguatiricas, onças-pardas, veados e tamanduás-mirim já foram avistados.
No extremo leste da ilha, a Praia da Armação das Baleias surge como o exemplo máximo de preservação. O acesso ocorre apenas por trilha ou mar, o que mantém a areia clara e a vegetação nativa quase intacta. É um destino para quem busca silêncio absoluto e não se importa com a ausência de infraestrutura turística.
Próxima dali, a Praia do Camburi reforça esse tom de exclusividade. Localizada na divisa com Bertioga, ela oferece águas claras e um rio que deságua no mar. São locais onde a natureza ainda dita as regras, e o visitante precisa ser autossuficiente. Não há comércio local.

Praia do Camburi, em Guarujá, litoral de SP
História no lado oeste
Do outro lado da ilha, voltado para o estuário de Santos, o cenário muda para um tom mais histórico. A Praia do Góes é o lugar ideal para quem busca charme rústico. A vila de pescadores oferece petiscos de frente para o mar e uma vista privilegiada da entrada de navios no porto.
Ao lado, a pequena Praia do Sangava encanta pelas águas mansas e esverdeadas. É um dos pontos favoritos para mergulho livre na região. Mesmo próxima à área urbana, o acesso por trilha íngreme garante que o local não sofra com a lotação das vizinhas famosas.
Preservação e controle de acesso

Algumas das joias de Guarujá, como Iporanga e Tijucopava, operam sob regras rígidas de preservação ambiental. O acesso por condomínios limita o número de visitantes diários. Essa organização garante que a experiência de estar ali seja sempre de baixa densidade e alto impacto visual.
Falar dessas praias é também um ato de conscientização. Nessas áreas, o “lixo zero” é uma condição obrigatória de existência.
Leia também: Guarujá: muito além do pé na areia
Conheça 10 praias para fugir do borburinho em Guarujá:
Nem todas as 27 praias da ilha cabem em fotos, mas estas 10 devem estar no seu radar para a próxima aventura:
- Praia do Sangava: Águas mansas e ideais para mergulho (Oeste).
- Praia do Góes: Vila de pescadores com gastronomia rústica (Oeste).
- Praia da Armação: Isolamento total e natureza selvagem (Leste).
- Praia do Saco do Major: Acesso difícil e cenário paradisíaco (Sul).
- Praia do Cheira Limão: A menor da ilha, com visual rústico (Oeste).
- Praia do Camburi: Rio, mar e muita Mata Atlântica (Leste).
- Praia de Santa Cruz dos Navegantes: Cultura caiçara e história viva (Oeste).
- Praia do Iporanga: Famosa pela cachoeira que deságua na areia (Leste).
- Praia de Taguaíba: Reduto de surfistas e amantes do silêncio (Leste).
- Praia do Pinheiro: Pequena, brava e cercada de verde (Leste).
Para visitar praias como Iporanga e Tijucopava, chegue antes das 8h da manhã. As vagas são limitadas e o acesso é por ordem de chegada.





